
Palestra sobre neuroética abre o segundo dia do workshop CInAPCe
11 de junho
A neuroética é uma nova disciplina que surge frente às freqüentes questões que surgem durante o desenvolvimento das neurociências. “É uma reflexão diária que deve fazer parte da pesquisa e ser documentada”, avalia Edson Amaro, pesquisador da USP, que realizou a palestra de abertura do segundo dia do workshop CInAPCe. A neuroética discute temas controversos e que provocam dilemas. Na chamada neuroterapêutica, o desenvolvimento de alguns remédios pode ter repercussões nem sempre previstas, como o uso de medicações com fins de doping, por exemplo. “Além disso, os riscos e o custo dos tratamentos precisam ser avaliados”, diz Amaro.
Outro objeto de estudo da neuroética são as pesquisas que, de alguma maneira, interferem com a emoção das pessoas. “Essas pesquisas devem ser pensadas com muito critério e sem pré-julgamentos morais”, diz Amaro. Estudos que utilizam análises de imagens cerebrais devem ser realizados com muito cuidado, como por exemplo, nos exames de ressonância magnética. Alguns achados nem sempre são os esperados pelos pesquisadores. “Quem vê cara não vê coração nem cérebro”, diz o pesquisador. Os pacientes que participam desses estudos devem ser alertados sobre a possibilidade de serem encontradas coisas que não eram as esperadas, graves ou não.
De acordo com Amaro, os pesquisadores envolvidos com pesquisas em neurociências devem sempre usar termos de consentimento, que também devem alertar os pacientes sobre a possibilidade de serem encontradas alterações inesperadas, mesmo em pessoas sadias. Além disso, deve haver uma previsão de custos, de seguro e de assistência. E os pesquisadores devem sempre lembrar-se da lei da neuroética, que diz: “você é responsável por aquilo que cativa (para pesquisa)”.
(N.C.)