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 Publicado por: Juliano Luis Pereira Sanches  julianoluis@ig.com.br 02-04-2009 23:06:23
 Titulo: Cinema e Ciência
 Olá pessoal tudo bem.

No livro Cinema como prática social, da Graeme Turner, é defendida a possibilidade do cinema influenciar a significação cultural/social, ou seja, nossas maneiras de estudar/observar os assuntos do dia a dia. O cinema pode tanto desmistificar como reforçar as representações simbólicas sobre a vida do Homem em sociedade, tais como a comunicação e a ciência. Um dos trechos do livro aponta algumas possibilidades. “Conseqüentemente, a fim de melhor compreender como o cinema pode fazer parte dos sistemas culturais em análise, tornou-se necessário investigar mais de perto o próprio cinema como um meio específico de produzir e reproduzir significação cultural” (TURNER, 1997, p. 49). Com base nessas questões, podemos observar duas possibilidades de inter-relacionamento. 1) O cinema pauta/influencia os interesses e as ações do cotidiano dos pesquisadores e das instituições de pesquisa. 2) As ciências pautam/influenciam o conteúdo das produções cinematográficas. Mas, até que ponto o cinema e as ciências (e/ou áreas transdisciplinares) se completam e/ou se opõem, enquanto meios de produção de conhecimento? E até que ponto a literatura de ficção científica transita, interfere e é influenciada pelo cinema e pelas produções científicas? O site da BOCC (Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação) tem artigos científicos que tratam da influência de meios audiovisuais (cinema, fotografia, mídia, documentário, entre outros) nas diversas áreas do conhecimento. Entre as produções que demonstram a simbiose de influência entre o cinema e as ciências, cito algumas: Bicho de Sete Cabeças, de 2000, da diretora Laís Bondasky; O Silêncio dos Inocentes, de 1991, do diretor Jonathan Demme; Laranja Mecânica, de 1971, do diretor Stanley Kubrick; O Expresso da Meia-Noite, do diretor Alan Parker, de 1978; Psicose, do diretor Gus Van Santa, de 1998; e Um Estranho No Ninho, de 1975, do diretor Milos Forman.
Juliano Sanches
julianoluis@ig.com.br 07-04-2009 22:14:30
Existem outros filmes sobre essa simbiose de influência entre o cinema e a ciência. Entre eles, Metrópolis, de 1927, do diretor Fritz Lang, que descreve possibilidades (científicas, morais e culturais) para o ano de 2019. E Blade Runner – O caçador de andróides, de 1982, do diretor Ridley Scott, que indica possibilidades (científicas, culturais e morais) para o século 21. Essas duas películas apontam possíveis mudanças nos significados culturais da organização da sociedade, da tecnologia e da ciência.
Li Li Min
li@cinapce.org.br 07-04-2009 23:21:24
Dentro desta discussão, aponto para o filme Minority Report, em que mostra como a mente pode ser lida, de certa maneira no filme Blade Runner isso tb acontece. Hj a ressonância magnética é algo mais próximo deste contexto, porém com uma distância tecnológica muito grande, ainda. Será que o cinema está ditando para onde devemos investir os esforços no desenvolvimento cientifico tecnológico? Na contramão, hj estudos com ressonancia magnética funcional de pessoas assistindo filmes apontam para cenas que podem deixar rastros no cerebro pelas "zonas" emocionais (Roberto Carlos ...), assim a ciencia invade a arte (que perigo).
Sueli Adestro
astuzza@uol.com.br 22-04-2009 21:00:25
O "perigo" da arte é quando o criador supera o caráter hereditário de sua criação. Daí, estamos invadindo uma área limítrofe da criatividade, ou seja, boderline, ou a um passo da loucura (será?). Mas, bem sabemos que para além dos estigmas que seguem o conceito da loucura, cabe salientar que em toda criação há um núcleo de loucura. Afinal, que bela arte são os mecanismos da loucura, não? Quero deixar como sugestão um livro - O Idiota (1869) - de Fiódor Dostoiévski, que nas entrelinhas traz relatos da condição de epilepsia, que acompanhou o célebre escritor russo. Mas, por falar em 7ª Arte, o diretor Akira Kurosawa, baseou-se no livro "O Idiota", para roduzir o drama (1951) que fora rodado originalmente no Japão. O título original é "Hakuchi".
Juliano Luis Pereira Sanches
julianoluis@ig.com.br 22-04-2009 23:49:06
A maioria dos grandes escritores, teatrólogos, artistas plásticos, filósofos tentava se libertar da racionalidade, muitas vezes, por meio da bebida. O vinho, uma bebida tão antiga, passou na mão de alquimistas, pintores, poetas. Todos com intenções muito parecidas. Numa frase, estavam em busca do contato com o que transcende e resignifica continuamente o que entendemos de vivência humana.
Alguns desses homens, que buscavam o lado aventureiro da vida, se embriavagam dias e noites, com a esperança de alcançarem a expressão do que era espiritual, espontâneo, profundo, da alma. Usavam o poder subjetivo, o Eu Maior. Isso, talvez, porque acreditavam que a racionalidade estava domesticada demais, por conta das regras da sociedade. Mas, há muitas maneiras de experienciar o sutil. Há índios, por exemplo, que usam os chás. De uma maneira geral, há pessoas que percebem que a dita "realidade social" foi construída, mas que existem outras dimensões profundas e criativas a serem exploradas.
Esses viam, de certa forma, em meios de alteração de consciência, como a bebida e o chá, maneiras de transfundir para o canal profundo do ser, numa espécie de alquimia da alma. Alquimia essa que tem canais de acesso tão tênues, a ponto de se aprender com a loucura e a espiritualidade, numa transgressão da racionalidade técnica, e num devotamento à sensibilidade. A loucura, assim, muitas vezes, se faz escola, verbo e arte. E, a partir do contato com esse mar de inteligências e criatividades, chamado pela sociedade de loucura, os devaneios da vontade se tornam fontes inesgotáveis de sabedoria, com direito a mentores e divulgadores das luzes e das sombras do ser humano.
Suélen Trevisan
suelentrevisan@gmail.com 27-04-2009 16:12:20
Acredito que, muitas vezes, a ficção pauta a ciência (ou anuncia algo para o público de forma que este absorva melhor o que está por vir): salvo engano, em Minority Report (2002) mostrou-se a holografia (uma forma de se registrar ou apresentar uma imagem em três dimensões) e já nas últimas eleições dos USA a CNN utilizou-se desse recurso...
Juliano Luis Pereira Sanches
julianoluis@ig.com.br 29-04-2009 11:56:26
Ao que parece, a inter-ligação entre o cinema, a ficção e a ciência se tornou uma tendência. E isso faz com que os agentes sociais envolvidos nessas áreas repensem os modelos de saber-fazer usados no passado.
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