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 Publicado por: Juliano Luis Pereira Sanches  julianoluis@ig.com.br 05-06-2009 19:53:15
 Titulo: Tratamento médico e sociedade indígena
 A antropologia nos faz pensar no quanto o não-índio ainda tem muitas dificuldades de aceitar o índio. Há uma discussão muito profunda sobre o assunto. Lévi-Strauss e tantos outros autores tratam o tema em suas microscópicas nuances. Ora, numa visão de alteridade, até que ponto os médicos e as instituições médicas podem interferir numa sociedade indígena, a ponto de atribuir e inferir terminologias às manifestações de saúde dos integrantes de uma determinada tribo? E até que ponto uma tribo deve ou pode resistir aos tratamentos médicos, como medicamentos, exames e cirurgias, por entendê-los como práticas não-indígenas? Com base nessas considerações, como estão fixados os limites éticos da profissão médica em relação ao respeito à pajelança? Questões como essa parecem bem pertinentes, principalmente porque vemos, principalmente no Brasil, uma multiplicidade de tentativas de apagar e ocultar as culturas e as línguas indígenas. As propostas de aculturação do índio, pelo que pode ser observado pela historiografia, somente trazem consequências negativas e irreversíveis para o índio. Com a presença de práticas médicas numa tribo, o médico, de certa maneira, expropria os índios do controle simbólico em relação ao bem-estar físico, mental, psicológico e espiritual? Expropriar, aqui, pode se definir como o processo de substituição de crenças e valores sobre algo por outras práticas. Em outras palavras, tirar a posse ou a propriedade sobre uma determinada área de sabedoria, para atender a interesses exteriores aos dos seus praticantes. Mas, enfim, a intervenção médica numa sociedade indígena é abrupta ou se constrói pela convivência harmoniosa diante da pajelança? Há uma troca igualitária entre os saberes indígenas e não-indígenas da medicina ou há uma tentativa de provar que uma cultura é superior ou mais evoluída do que a outra? Deixo essas questões em aberto. Penso que ainda precisamos refletir muito sobre a temática para, assim, chegarmos em algum consenso que seja igualitário para os índios e não-índios.
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