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17/06/2009
Epilepsia e a mulher

São muitos os desesperos que envolvem o ser feminino. Quilos a mais, peitos de menos, rugas, celulite, estrias, profissão sem sucesso, casamento falido, filhos pequenos, adolescentes, marmanjos folgados, noites de insônia, noites prazerosas, a comida que queimou, a liquidação do shopping perdida, o cabelo preto ou loiro ou ruivo demais, o nariz pequeno ou muito grande, dentista, ginecologista, supermercado, escola dos filhos, reunião de trabalho, aniversário do marido, a moda, o desuso, o computador que insiste em não entender o sentimentalismo feminino. Ah! Meu Deus, se as pobres mulheres puderem escolher, serão meninos na próxima encarnação, as que insistirem em ser fêmeas devem estar em estágio avançado na psicoterapia.
Mas a situação pode piorar, eis que surge um fato novo e tão - ou mais - desesperador quanto os outros. Como se não bastasse sermos alvo do câncer de mama, podemos ser epilépticas. Convulsionar a qualquer momento e comprometer um emaranhado de sonhos e objetivos por causa dessa doença, ou melhor, condição.
Muitas mulheres sofrem com esse mal. Algumas desabafam, outras escondem como se ocultassem as gordurinhas a mais num “tubinho” preto. Mas elas vêm, as crises não têm hora ou lugar para acontecer. E se acontecer num jantar romântico com aquele homem que ela procurou em todos os chats da internet e, finalmente, encontrou?
Caso não aconteça num primeiro momento, pode vir no segundo, terceiro ou quando ela for buscar o resultado do teste de gravidez. Mas, epilépticas podem engravidar? A criança, no mínimo, vai ser problemática e rejeitada na escola como a mãe fora no passado.
Além disso, terá que criar o filho sozinha, pois o companheiro não aceitará uma mulher epiléptica, louca, e, agora, mãe. É demais para a cabeça de um homem que só tinha a intenção de constituir família.
E seguem os traumas, as inseguranças, o medo e o mito. Afinal, esses devem ser esclarecidos. Quantas são essas mulheres? Quais as histórias de vida que carregam? Conhecem o que têm ou julgam-se ainda piores do que qualquer mulher que não tem o peso ideal?
Tudo tem resposta e a informação deve ser disseminada. E eu, jornalista, não epiléptica, mas mulher, pretendo ajudá-las de alguma forma. Seja dizendo-lhes que podem ser amadas, podem ser aceitas, podem ser mães ou podem, simplesmente, ser mulheres.

Marcela Carlini
 
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